Asma e rinite são os principais problemas alérgicos de inverno

Os principais vilões do frio são os ambientes fechados e roupas guardadas há muito tempo, que facilitam a proliferação de ácaros e fungos. Dentre os problemas alérgicos de inverno, destacam-se a asma e a rinite. A asma acomete de 10% a 25% da população no Brasil, dependendo da faixa etária. Cerca de 10 milhões de brasileiros convivem de forma persistente com a doença. A rinite atinge cerca de 26% das crianças e 30% dos adolescentes brasileiros. Os estados do norte e nordeste do país são os que apresentam maior prevalência da doença. As afirmações são do Dr. Clóvis Eduardo Galvão, Diretor da ASBAI - Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia.

Alergo ar - Com a mudança da estação do ano (outono para inverno) quais as doenças alérgicas mais comuns que acometem à população e seus sintomas?

Dr. Clóvis Eduardo Galvão - As doenças de inverno mais comuns são: asma, rinite, sinusite, gripe, resfriado e bronquite e os agentes causadores são, basicamente, o mofo e a poeira.

Os principais vilões do frio são os ambientes fechados e roupas guardadas há muito tempo, que facilitam a proliferação de ácaros e fungos. Dentre os problemas alérgicos de inverno, destacam-se a asma e a rinite. A asma acomete de 10% a 25% da população no Brasil, dependendo da faixa etária. Cerca de 10 milhões de brasileiros convivem de forma persistente com a doença. Em todo o mundo, o número chega a 300 milhões de pessoas, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). A asma é a quarta maior causa de hospitalização, correspondendo a cerca de 400 mil internações por ano em todo o país (Datasus, 2001). Esse índice equivale ao terceiro maior gasto do Sistema Único de Saúde (SUS) com uma doença específica, a um custo de aproximadamente R$ 111 milhões.

Os custos da asma podem ser divididos em três tipos: os custos diretos (aqueles que podem ser calculados, como médicos, serviços de ambulância, cuidados domésticos, medicamentos e hospitalizações), os indiretos (relacionados a faltas ao trabalho, direitos previdenciários, faltas escolares, redução de produtividade) e os incalculáveis (o sofrimento humano pessoa e familiar).

A maneira mais eficaz de reduzir os custos da asma é controlar a doença, por meio de diagnóstico e tratamento adequados. Para evitar crises e internações, é fundamental buscar orientação médica e seguir o tratamento prescrito.

Aponta-se que 78% dos pacientes com asma têm, também, rinite alérgica e as duas doenças podem ser desencadeadas pelos mesmos alérgenos, que podem ser polens, mofos, pêlos de animais, os ácaros da poeira de casa e a barata.

Segundo dados do International Study of Asthma and Allergies (ISAAC), estudo coordenado pelo Dr. Dirceu Sole, Presidente da Sociedade Latino-Americana de Alergia, Asma e Imunologia (SLAAI) e da ASBAI – Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia, a rinite atinge cerca de 26% das crianças e 30% dos adolescentes brasileiros. Os estados do norte e nordeste do país são os que apresentam maior prevalência da doença, sendo Salvador a terceira cidade da América Latina no ranking de casos de rinite. Para o alergista, os recentes estudos têm mostrado que houve um aumento significativo no número de pacientes que sofrem de alergias na América Latina.

CARACTERÍSTICAS DAS DOENÇAS:

A asma é uma doença que acomete o aparelho respiratório e que se acompanha de uma inflamação crônica dos brônquios. Durante uma crise asmática, o interior das vias respiratórias fica inchado, os músculos que envolvem os brônquios ficam contraídos e ocorre uma grande produção de muco(catarro). A asma é também conhecida como bronquite, bronquite asmática ou ainda como bronquite alérgica.

A rinite alérgica é a inflamação alérgica da mucosa do nariz que pode ocorrer de forma repetida A causa mais comum é a sensibilização aos alérgenos inalantes, em especial à poeira de casa e seus ácaros.

SINTOMAS DAS DOENÇAS:

Os sintomas principais da rinite alérgica são:

• Espirros repetidos;
• Coriza líquida em geral abundante;
• Coceira nasal insistente (ou coçam também os olhos, os ouvidos, céu da boca e garganta);
• Mucosa nasal: congestionada, as narinas entopem;
• Olhos: avermelhados, irritados, lacrimejando e coçando;
• Sensação de escorrimento da secreção pela parte de trás do nariz, que pode provocar pigarro ou tosse insistente;
• Alteração de olfato e do paladar, tosse crônica noturna, sinusite, amigdalites, faringites e otites repetidas.

No caso da asma, os principais sinais de alerta são:

• Tosse seca persistente - principalmente à noite;
• Sibilância (chiado no peito);
• Respiração mais rápida do que o normal;
• Falta de ar;
• Cansaço físico;
• Sensação de aperto ou dor no peito.

Alergo ar - Quem são as pessoas mais afetadas pelas doenças alérgicas?

Dr. Clóvis Eduardo Galvão - As crianças e os idosos são os que mais sofrem. A população pediátrica é a que mais apresenta crises respiratórias. Estima-se que a rinite alérgica acomete até 40% das crianças. A asma também é uma alergia respiratória muito comum nas crianças. É fundamental saber que gripes ou resfriados recorrentes, sinusites de repetição e mesmo sangramentos nasais podem estar relacionados a quadros de alergia. No caso da asma, além das crises de chiado, quadros de tosse recorrentes, pouca vontade de praticar esportes, podem esconder este diagnóstico. Pais alérgicos têm uma chance maior de gerar filhos com alergia.

Embora considerada durante muitos anos uma doença da infância, a asma hoje ocupa uma prevalência cada vez mais alta na terceira idade. Uma crise de asma pode surgir pela primeira vez após os 60 anos de idade, ou ainda, uma pessoa que teve asma na infância pode voltar a ter sintomas na terceira idade. Entretanto, uma pessoa idosa pode ter falta de ar, tosse ou chiados e não ser asma. Por isso, deve-se ter o cuidado de procurar um médico especialista para confirmar o diagnóstico.

Alergo ar - Como podemos evitar as doenças alérgicas nesta época do ano?

Dr. Clóvis Eduardo Galvão - A melhor maneira de se ver livre dessas doenças e passar o inverno tranquilo é a prevenção. As principais recomendações que damos aos nossos pacientes são: manter os ambientes de casa e do trabalho limpos; trocar os lençóis de cama uma vez por semana; lavar as roupas de inverno, tanto de cama quanto de vestir, que ficaram guardadas durante o verão antes de usar; mesmo nos dias frios, deixar as janelas abertas para ventilar o ambiente e deixar o sol entrar; evitar sair de ambientes quentes e ir para lugares muito frio; evitar fumaça de cigarro e odores fortes como perfumes de limpeza da casa; manter uma alimentação saudável, rica em verduras, frutas e legumes, e tomar muita água.

Alergo ar - Qual o tratamento indicado?

Dr. Clóvis Eduardo Galvão - O tratamento pode ser feito por meio da higiene ambiental, medicamentos e/ou vacinas antialérgicas.

Alergo ar - Alguma medida preventiva pode ser tomada em específico no inverno?

Dr. Clóvis Eduardo Galvão - Seguem 10 dicas para imunizar o ambiente contra alergias:

• É necessário seguir uma rotina de limpeza constante;
• Use um pano úmido para limpar o pó antes que ele se disperse. Utilize máscara e luvas durante a limpeza;
• Use um aspirador que tenha um filtro HEPA (High Efficiency Particulate Arrestance). Esse filtro reduz os alérgenos transportados pelo ar, prendendo ácaros e outras partículas, não as liberando novamente no ar;
• Nunca use um espanador para retirar o pó. Ele apenas o espalha, adicionando mais alérgenos no ambiente;
• Remova todo o carpete. Caso contrário, use carpetes baixos ao invés de felpudos, pois acumulam menos pó;
• Lave todas as roupas de cama com água muito quente toda semana. Lave as proteções do colchão e os travesseiros a cada duas semanas;
• Forre travesseiros e colchões com protetores herméticos de plástico ou vinil que são impermeáveis aos alérgenos. Travesseiros e colchões contêm material fibroso, ambiente ideal para o crescimento dos ácaros;
• Remova velas do quarto, especialmente as de essências, que podem liberar substâncias irritantes ou prejudiciais;
• Sempre que for tomar banho abra uma janela para reduzir a umidade. Os ácaros gostam de locais quentes e úmidos;
• Animais de pelúcia devem ser lavados a cada semana e guardados, de preferência, longe da cama.

Unidades: Centro | Madureira | Niterói | Tijuca. Consultas com hora marcada.
Central de Marcação de Consultas: (21) 3515-0808