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Antibióticos
De acordo com determinação da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que vigora desde novembro do ano passado, a compra de antibióticos só pode ser feita mediante apresentação de receituário médico, pois o uso indiscriminado do medicamento fortaleceu as bactérias, tornando-as resistentes. Nem toda infecção deve ser tratada com antibiótico e o medicamento deve estar de acordo com a bactéria que se instalou. Em entrevista, Dr. Walter Tavares, Professor de Doenças Infecto-Parasitárias, aborda estes temas e explica o efeito dos antibióticos no organismo e os males causados pelo seu uso indevido.
Leia a entrevista e saiba mais sobre a determinação.
Entrevista com Dr. Walter Tavares (clique nas perguntas para ver as respostas)
1. Como os antibióticos combatem as infecções no organismo?
Os antibióticos, e outras substâncias antimicrobianas, podem atuar sobre microrganismos que são a causa de muitas infecções que afetam o organismo do Homem e de outros animais. A ação dos antibióticos depende da sensibilidade do germe à substância empregada e também do local em que o microrganismo está localizado.
2. Em quais casos os antibióticos são realmente indicados?
No caso da Medicina humana, a indicação do emprego de antibióticos deve ser feita pelo médico. É ele que irá determinar se a doença apresentada pelo paciente é um processo infeccioso, se o agente causador é sensível aos antimicrobianos e, se no caso específico do paciente, há realmente a necessidade do uso de antibiótico.
3. O que levou a esta determinação da ANVISA? Em que a regulamentação pode
auxiliar na saúde das pessoas e no uso correto dos antibióticos?
A resolução da ANVISA, em regulamentar a venda de produtos contendo antimicrobianos, visou exatamente evitar o uso abusivo dessas substâncias, muitas vezes usadas sem necessidade e cujo uso indiscriminado pode causar consequências danosas à saúde e ao meio ambiente.
4. Quais são as possíveis complicações do uso do antibiótico incorreto ou em uma situação desnecessária?
Inicialmente, nem sempre é necessário usar antibiótico em um paciente com infecção. Como disse acima, quem determina isso é o médico, com seu conhecimento adquirido em curso de graduação. Existem agentes infecciosos, como os vírus, que não são combatidos pelos antibióticos. Além disso, em algumas infecções bacterianas bastam cuidados locais, sem o uso de antibióticos. Portanto, além de muitas vezes inútil, é gasta uma importância em dinheiro sem necessidade.
Depois, deve-se considerar que antibióticos são substâncias estanhas ao organismo humano e, dessa maneira, podem causar efeitos tóxicos, irritações, alergias e propiciar infecções por microrganismos mais virulentos.
E mais, o uso incorreto e abusivo de antibióticos pode causar a seleção de microrganismos resistentes a vários antibióticos e, se esses germes resistentes vierem a causar infecções, fica muito mais difícil o tratamento. Se isso ocorrer, pode ser necessária a internação do paciente, o uso de drogas mais dispendiosas e mais tóxicas, e o risco de evolução grave é, às vezes, fatal.
5. Quais são os medicamentos que não devem ser ingeridos junto com os
antibióticos? Quais são os efeitos desta interação medicamentosa?
Cabe ao médico instruir ao seu paciente sobre as interações que podem ocorrer entre vários medicamentos. Na atualidade, com o imenso arsenal terapêutico, cada paciente é um caso específico que deve ser analisado pelo seu médico, que dará as orientações adequadas sobre como proceder no uso dos medicamentos.
6. Existem alguns mitos populares relacionados à ingestão de antibióticos. Entre eles: não se pode ingerir em jejum; deve-se preferir a ingestão junto a uma refeição; deve-se ingerir o medicamento com leite, para evitar que ele cause dor no estômago; os antibióticos estragam os dentes; diminuem o efeito dos anticoncepcionais. O que é verdade e o que é apenas mito?
Sim, é verdade que alguns antibióticos não devem ser tomados junto com alimentos, pois há uma diminuição da absorção do medicamento. Isso vale também para o leite. Por outro lado, existem antibióticos nos quais os alimentos em nada interferem na absorção. É verdade que alguns antimicrobianos podem diminuir o efeito de anticoncepcionais, assim como é verdade que um grupo de antibióticos pode causar alterações dentárias em crianças. Poderiam ser citadas centenas de alterações e interações que antibióticos podem causar no organismo humano.
Cada antibiótico tem sua particularidade farmacocinética e farmacodinâmica. E, é por isso que esses medicamentos só podem e devem ser prescritos por quem estudou e aprendeu porque, quando e como utilizá-los.
* Doutor em Medicina pela UFRJ e Professor de Doenças Infecto-Parasitárias do Departamento de Medicina da UFRJ, UFF, Centro Universitário de Volta Redonda, Centro universitário Serra dos Órgãos, da Universidade Gama Filho, da Universidade Severino Sombra.
Mais sobre a determinação
Antibióticos, só com prescrição médica
Desde o final do ano passado a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) obriga farmácias e drogarias a exigirem receita médica para a venda de antibióticos.
As embalagens e bulas também já incluem a seguinte frase: "Venda sob prescrição médica - só pode ser vendido com retenção da receita"
A proposta para restringir e tornar mais rígidas a venda de antibióticos no Brasil teve como objetivo diminuir o consumo desnecessário desses medicamentos e evitar o aumento da resistência bacteriana a esses remédios.
Segundo o infectologista Jaime Rocha, a medida da ANVISA é extremamente benéfica. "O antibiótico é o único medicamento com impacto social. Se uma pessoa usa mal o antibiótico, pode-se induzir uma resistência bacteriana para outros pacientes, ou seja, ela pode deixar a bactéria ainda mais resistente" explica o especialista.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) mais da metade do consumo de antibióticos no mundo é feita de forma inadequada. Só no Brasil, o comércio de antibióticos movimentou, em 2009, cerca de R$ 1,6 bilhão, segundo relatório do instituto IMS Health.
Faça a sua parte: o medicamento receitado para outra pessoa não deve ser utilizado por você sem que tenha sido prescrito por um médico.
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