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Doenças comuns durante o outono
O mês de março, normalmente, é marcado por muita chuva. Como dizia Tom Jobim, "são as águas de março fechando o verão" para dar início a uma nova estação, o outono. Mas, com essa estação também chegam algumas enfermidades comuns nesse período, as chamadas doenças sazonais, que aparecem com frequência em uma determinada estação do ano.
Segundo especialistas, no outono há um aumento considerável de doenças respiratórias, inflamatórias e alérgicas, como: resfriado, gripe, laringite, asma, bronquite, pneumonia e bronquiolite.
A razão deste aumento de doenças está ligada, sobretudo, a fatores climáticos. Nesse período do ano no Brasil, a temperatura do ar diminui, há pouca umidade atmosférica e, consequentemente, maior nível de poluição no ar.
A poluição é considerada a principal causa de surgimento de doenças respiratórias nessa estação do ano. A combinação desses fatores climáticos com o fato das pessoas ficarem mais tempo em ambientes fechados também pode contribuir para a disseminação de algumas doenças transmitidas pelo ar. Por isso, é importante evitar lugares com aglomeração de pessoas.
Caso um indivíduo apresente sinais de febre, tosse persistente e presença de catarro amarelado por um período superior a três dias, deve procurar atendimento médico. A automedicação não é recomendada.
Leia, abaixo artigos escritos sobre as doenças mais comuns no outono, suas complicações, contágios, tratamentos e formas de prevenção, escritos pelo Dr. Márcio Ataíde Lança e publi- cados no site ABC da Saúde (www.abcdasaude.com.br).
Doenças mais comuns
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Resfriado
Gripe
Gripe A H1N1
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Laringite
Asma
Bronquite aguda |
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Bronquite crônica
Pneumonia
Bronquiolite
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Resfriado
É uma infecção simples do trato respiratório superior - acomete o nariz e a garganta, durando de poucos dias a poucas semanas (usualmente, menos de duas semanas). Neste tipo de infecção ocorre uma grande destruição do revestimento interno das vias respiratórias pelo vírus. As defesas do organismo do indivíduo afetado reagem, causando mais inflamação. Isso pode fazer com que bactérias que estejam nas vias respiratórias se aproveitem da situação, produzindo muco (catarro) purulento que pode ser expelido pelo nariz ou pela boca. Isto explica porque, em alguns casos, um simples resfriado por vírus pode levar uma pessoa a desenvolver uma pneumonia por bactérias.
O resfriado termina quando o revestimento interno lesado se regenera e, então, a infecção está resolvida. O vírus mais frequentemente envolvido é o rinovírus. Devido a grande variedade de vírus, não existem ainda vacinas para proteger as pessoas destas viroses.
Os resfriados são frequentes e estão entre as principais causas de falta ao trabalho. Os adultos, em média, têm de dois a quatro resfriados ao ano, e as crianças (especialmente os pré-escolares) de cinco a nove. Estas infecções são ainda mais frequentes nas creches. Independentemente de usar medicações ou não, dentro de poucos dias as pessoas melhoram. Após três a quatro dias, o resfriado deve melhorar, embora alguns sintomas possam persistir até duas semanas. Caso dure mais que isso, é importante a realização de uma consulta médica para investigar a possibilidade de que uma infecção bacteriana possa ter surgido após o resfriado - pneumonia, laringite (inflamação das cordas vocais), sinusite ou otite.
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Como se adquire?
Para uma pessoa pegar um resfriado é necessário que o vírus entre em contato com o revestimento interno do nariz. As viroses que chegam até os olhos ou boca também podem se estender até o nariz. Em alguns casos, a pessoa pode infectar-se pelo vírus através de outra. Uma pessoa resfriada, ao espirrar, espalha gotículas no ar com muco e vírus. Uma segunda pessoa, ao respirar este ar contaminado, faz com que o vírus entre em contato com o nariz e acaba desenvolvendo a doença. Contudo, a via mais comum de transmissão destas viroses é pelo contato direto. Por exemplo: uma criança resfriada toca no seu rosto, espalhando um pouco de muco (catarro) e partículas de vírus pelos seus dedos. Ao dar a mão à sua mãe, transfere vírus para sua pele. A mãe, ao tocar no seu próprio rosto, com a mão contaminada, pega o resfriado. Esta mesma transferência de vírus pode ocorrer através de objetos. Uma pessoa resfriada que coloca a mão no nariz e depois num copo, transfere os vírus para o copo. Outra pessoa, ao utilizar o copo, leva os vírus para a sua mão e, levando até seu rosto, adquire o resfriado.
Não existem evidências de que o resfriamento do corpo possa levar uma pessoa a desenvolver um resfriado. Contudo, o estresse emocional, a fadiga e outros fatores que diminuem os mecanismos de defesa (imunidade) do organismo podem facilitar o surgimento da doença.
O que se sente?
Normalmente, os sintomas surgem de 1 a 3 dias após a pessoa entrar em contato com o vírus, e podem durar até uma semana, na maioria dos casos. Dentre os sintomas, destacamos:
- Nariz com secreção (coriza) intensa - como água nos primeiros dias. Mais adiante, pode tornar-se espessa e amarelada;
- Obstrução do nariz dificultando a respiração, espirros, tosse e garganta inflamada (dolorosa);
- Diminuição do olfato e da gustação;
- Voz "anasalada" (voz da pessoa que está com o nariz entupido);
- Rouquidão;
- Adultos podem ter febre baixa, enquanto as crianças podem ter febre alta;
- Dores pelo corpo; e
- Dor de cabeça;
Como o médico faz o diagnóstico?
O diagnóstico médico é feito através da conversa do médico com o seu paciente, associado aos exames. Não são necessários exames complementares - exceto naqueles casos em que paira alguma dúvida em relação ao diagnóstico. Neste caso, exames de sangue, exames de imagem, como a radiografia, e exames para pesquisa de germes na secreção nasal, por exemplo, poderão ser utilizados. Exames para detecção dos vírus causadores do resfriado também podem ser feitos.
Devemos lembrar que resfriado não é gripe. A gripe é uma infecção respiratória mais séria causada pelo vírus influenza.
Como se trata?
Não há tratamento para o combate do vírus causador da doença. A orientação dada pelo médico visa atenuar os sintomas da doença e dar condições adequadas para que o organismo da pessoa afetada logo se recupere.
Para isso, é importante que a pessoa tome bastante líquido, como água e sucos, uma vez que a boa hidratação previne o ressecamento do nariz e da garganta, facilitando a eliminação das secreções contaminadas. Gargarejos com água morna e salgada várias vezes por dia ou tomar água morna com limão e mel pode ajudar a diminuir a irritação da garganta e aliviar a tosse.
Para ajudar no alívio dos sintomas do nariz, pode-se usar spray nasal em adultos ou gotas salinas nasais para adultos ou crianças. O fumo pode piorar a irritação da garganta e a tosse. Bebidas quentes (como sopas) e alimentos temperados podem ajudar a aliviar a irritação na garganta ou a tosse.
Como se previne?
Como muitos vírus diferentes podem causar resfriados, ainda não se desenvolveram vacinas eficazes. É quase impossível não pegar um resfriado. Mas existem algumas atitudes que podem diminuir este risco. Dentre estes cuidados, estão:
- Lavar frequentemente as mãos e ensinar para as crianças a sua importância;
- Se possível, evitar contatos íntimos com pessoas resfriadas;
- Sempre lavar as mãos após contato com a pele de pessoas resfriadas ou com objetos tocados por estes;
- Manter seus dedos longe dos seus olhos e nariz;
- Não compartilhar mesmo copo com outras pessoas;
- Manter limpos a cozinha e o banheiro, especialmente quando alguma pessoa da casa está resfriada.
Para que a doença não se dissemine é importante que a pessoa resfriada
- Cubra o nariz e a boca com um lenço ao tossir ou espirrar;
- Lave suas mãos após tossir ou espirrar;
- Se possível, ficar longe de outras pessoas nos primeiros três dias da doença, quando o contágio é maior.
Verdades e mentiras em relação ao resfriado
- Grandes doses de vitamina C não previnem nem curam resfriados. Contudo, podem ajudar;
- O uso de casacos no frio ajuda a prevenir o aparecimento de pneumonias, mas não gripes ou resfriados;
- Trabalhar ou ir à escola resfriado provavelmente não prolonga a doença, mas certamente coloca outras pessoas em risco;
- Uma canja quente é uma boa fonte de líquidos no tratamento, mas não tem efeitos curativos;
- O alho pode ajudar na prevenção desta doença.
Gripe
É uma infecção respiratória causada pelo vírus influenza. Ela pode afetar milhões de pessoas a cada ano. É altamente contagiosa e ocorre mais no final do outono/inverno e início da primavera - de abril a setembro no hemisfério sul. Também é responsável por várias ausências ao trabalho e à escola, além de poder levar à pneumonia, hospitalização e morte. As epidemias de gripe normalmente têm seu pico em duas semanas e duram 2 a 3 meses.
Existem três tipos deste vírus: A, B e C. O vírus Influenza A pode infectar humanos e outros animais, enquanto que o Influenza B e C infecta só humanos. O tipo C causa uma gripe muito leve e não causa epidemias.
De uma maneira geral, o vírus influenza ocorre de maneira epidêmica uma vez por ano. Qualquer pessoa pode se gripar. Contudo, as pessoas com alguma doença respiratória crônica, com fraqueza imunológica, imunidade enfraquecida e idosos têm uma tendência a infecções mais graves com possibilidade de complicações fatais.
Os sintomas da gripe são mais graves do que os do resfriado. O vírus influenza tem uma "capa" (revestimento) que se modifica constantemente. Isto faz com que o organismo das pessoas tenha dificuldade para se defender das agressões deste microorganismo, ficando também difícil desenvolver vacinas para proteção contra a infecção causada por ele. Por isso, a gripe é um dos maiores problemas de saúde pública.
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Como se desenvolve?
Diferentemente do resfriado que, na maioria das vezes, se dissemina pelo contato direto entre as pessoas, o vírus influenza se dissemina, principalmente, pelo ar. Quando a pessoa gripada espirra, tosse ou fala, gotículas com o vírus ficam dispersas no ar por um tempo suficiente para ser inaladas por outra pessoa.
No revestimento do nariz da pessoa que foi contaminada, ele se reproduz e se dissemina para a garganta e para o restante das vias aéreas, que inclui os pulmões, causando os sintomas da gripe.
Menos frequentemente, a doença se dissemina pelo toque (mão contaminada com o vírus) do doente na mão de um indivíduo sadio que, ao levar a mão à boca ou ao nariz, se contamina. Um dia antes da pessoa experimentar os sintomas da doença, ela já pode contagiar outras. Poderá contaminar por até 7 dias após início dos sintomas - crianças até mais que isso.
O que se sente?
Gripe não é resfriado. A gripe é uma doença com início súbito e mais grave que o resfriado comum. Ela compromete de maneira significativa o estado geral da pessoa, diferentemente do resfriado, que geralmente só compromete o nariz e a garganta. O período de incubação - tempo entre o contágio e o início dos sintomas da doença - é de 1 a 4 dias.
Sintomas
- Febre;
- Calafrios;
- Suor excessivo;
- Tosse seca - pode durar mais de duas semanas;
- Dores musculares e articulares (dores no corpo) - podem durar de 3 a 5 dias;
- Fadiga - pode levar mais de duas semanas para desaparecer;
- Mal-estar;
- Dor de cabeça;
- Nariz obstruído; e
- Irritação na garganta.
A doença costuma ceder completamente dentro de uma ou duas semanas. A febre pode durar 3-8 dias. Nos idosos, a fraqueza causada pela gripe poderá durar várias semanas. Uma das complicações possíveis é a pneumonia - normalmente, não pelo vírus influenza, mas por uma bactéria (pneumococo ou estafilococo).
Além da pneumonia, outras infecções como sinusite, otite e bronquite (infecção dos brônquios - "canos" que espalham o ar nos pulmões) também são complicações possíveis. As pessoas com mais de 65 anos, de qualquer idade com alguma doença crônica e as crianças muito pequenas tem uma probabilidade maior de desenvolver complicações de uma gripe. Por outro lado, a gripe pode também desencadear uma piora em pessoas asmáticas ou com bronquite crônica e piora da condição de uma pessoa com insuficiência do coração, por exemplo. Existem outras complicações infrequentes e graves que podem ocorrer.
Como o médico faz o diagnóstico?
O médico faz o diagnóstico através dos sinais e sintomas referidos pelo paciente e com o auxílio do exame físico. Contudo, isto não é fácil, já que os sintomas iniciais da doença podem ser similares àqueles causados por outros microorganismos em outras doenças. Por isso, existem exames que podem ser feitos - só são usados em casos de epidemias ou quando o médico julgar importante para o manejo da situação - para confirmar a doença. Estes exames podem ser realizados com a análise da secreção respiratória (um "raspado" da garganta feito com um cotonete ou uma secreção do nariz) nos 4 primeiros dias da enfermidade ou através de exame de sangue. Existem também os chamados testes rápidos (detecção do antígeno viral) que podem confirmar a doença dentro de 24 horas.
Se o médico suspeitar de complicações causadas pelo vírus influenza, também poderá solicitar testes complementares. A radiografia do tórax também auxiliará o médico quando este suspeitar de uma pneumonia como complicação da gripe ou de outro diagnóstico. Contudo, nem sempre será fácil para o médico diferenciar entre uma pneumonia causada pelo próprio vírus da gripe e uma pneumonia bacteriana pós-gripe, apesar dos exames complementares disponíveis.
Como se trata?
Caso os sintomas da doença tenham se apresentado a menos de 2 dias, o doente poderá discutir com o seu médico a possibilidade de se usar um tratamento antiviral.
O indivíduo enfermo deverá fazer repouso, evitar o uso de álcool ou fumo, procurar se alimentar bem e tomar bastante líquidos, além de usar medicações para a febre e para a dor e, também, para a melhora dos sintomas do nariz, como a coriza (corrimento do nariz) ou congestão nasal. Retorno às atividades normais somente após os sintomas terem ido embora.
Como se previne?
A melhor maneira de se proteger da gripe é fazer a vacinação anual contra o vírus influenza antes de iniciar o inverno, época em que ocorrem mais casos. Ela pode ajudar a prevenir os casos de gripe ou, pelo menos, diminuir a gravidade da doença.
Sua efetividade entre adultos jovens é de 70-90%. Cai para 30-40% em idosos muito frágeis - isso porque estes têm pouca capacidade de desenvolver anticorpos protetores após a imunização (vacinação). Contudo, mesmo nesses casos, a vacinação conseguiu proteger contra complicações graves da doença como as hospitalizações e as mortes. A proteção da vacina também dependerá da similaridade da cepa viral que foi utilizada na vacina e da que está circulante no ano.
A vacina nos adultos e crianças maiores é aplicada no músculo do ombro e nas crianças menores é aplicada na coxa. Nas crianças menores de 9 anos que estão recebendo a vacina pela primeira vez, deve-se fazer duas doses da vacina com um intervalo de 1 mês. Uma a duas semanas após a vacinação, anticorpos já são produzidos pelo organismo e a proteção inicia.
Normalmente, a vacinação é bem tolerada. Os efeitos indesejáveis mais frequentes são a dor e vermelhidão no local da injeção. Em menos de 5% dos vacinados, febre baixa, dor de cabeça ou dor no corpo podem ocorrer 8-24h após a vacinação. Outros efeitos adversos são muito raros.
Devemos salientar que a vacinação não causa a doença, uma vez que é composta por vírus mortos. Atualmente, se estuda o uso de uma vacina para aplicação dentro do nariz.
Conforme determinação do Ministério da Saúde:
Vacinar
- Todas as pessoas com 60 anos ou mais;
- Pessoas adultas (mesmo grávidas ou amamentando) ou com mais de 6 meses de idade portadoras de doenças crônicas do coração, pulmões ou rins;
- Desabrigados, co-habitantes de pessoas de alto risco (incluindo crianças a partir dos 6 meses), diabéticos e pessoas com doenças da hemoglobina (do sangue);
- Pessoas imunocomprometidas: com câncer, infecção pelo HIV, transplantados de órgãos ou que receberam corticóides, quimioterapia ou radioterapia;
- Residentes de clínicas, indivíduos com internações prolongadas, trabalhadores da área da saúde e moradores de asilo;
- Familiares e pessoas que lidam com indivíduos com alto risco de ficarem doentes;
- Gestantes no segundo ou terceiro trimestre durante época do ano em que a gripe é frequente ou grávidas que tenham alguma condição médica que represente um maior risco de complicação após uma gripe;
- Crianças entre 6 meses e 18 anos que fazem uso de ácido acetilsalicílico a longo prazo (têm uma chance de apresentar uma complicação grave chamada Síndrome de Reye após uma gripe).
Não vacinar
- Pessoas que tiveram uma reação prévia a esta vacina contra a gripe;
- Pessoas que já tiveram uma reação alérgica a ovos de galinha, neomicina ou timerosal;
- Indivíduos que tiveram uma desordem caracterizada por paralisia chamada de Síndrome de Guillain-Barré, em que se suspeitou que tivesse sido após uma vacina anti-influenza;
- Pessoas com alguma doença febril atual;
- Primeiro trimestre da gravidez.
Além da vacinação, os antivirais podem ser usados como preventivos quando indicados pelo seu medico.
Gripe A H1N1
É uma doença causada por uma das mutações (geralmente H1N1) do vírus Influenza A. Portanto, é um vírus novo, com material genético desconhecido para o sistema imunológico das pessoas. Este novo vírus surgiu devido a uma grande variação antigênica do vírus influenza.
Tal fenômeno acontece a intervalos irregulares que variam de 10 a 40 anos. É uma doença respiratória aguda, altamente contagiosa, que afetou todo o mundo rapidamente em 2009 porque as pessoas não tinham imunidade contra ele. A Organização Mundial de Saúde (OMS) fez alerta de pandemia (alerta epidemiológico nível 6) em 11 de junho de 2009 pela gravidade da situação.
O relatório anunciou 17 mil mortes de norte-americanos. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) estima que 41 a 84 milhões de casos de H1N1 ocorreram entre abril de 2009 e 16 de janeiro de 2010. Já nos porcos, a doença é considerada endêmica nos Estados Unidos, e surtos ocorreram na América do Norte e do Sul, Europa, África e partes do leste da Ásia.
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Como ocorre?
O vírus se dissemina entre os porcos por aerosol da secreção respiratória destes pelo contato direto ou indireto. Eles podem ser infectados por vírus influenza das aves, de humanos bem como de influenza suíno. Os porcos podem ser infectados ao mesmo tempo por mais de um tipo de vírus, o que permite que estes se misturem. A infecção em humanos por influenza suíno pode ocorrer em casos isolados ou surtos. Esta doença pode surgir após contato da pessoa sadia com porco infectado ou de pessoa sadia com pessoa infectada. No entanto, neste momento não há qualquer confirmação de transmissão entre porcos e humanos.
Assim, como na gripe comum, o contágio entre as pessoas se dá através de secreções respiratórias como gotículas de saliva ao falar, espirrar ou tossir. Uma pessoa pode infectar outra desde um dia antes da doença aparecer até 7 dias (crianças até mais que isso) após sua resolução. Após contato com vírus, o indivíduo pode levar de 1 a 4 dias para começar a apresentar os sinais e sintomas da doença.
O que se sente?
Os sintomas lembram os sintomas da gripe. O individuo afetado pode ter início abrupto de febre alta associado à tosse, dores musculares e nas articulações ("juntas"), dor de cabeça, prostração, coriza, garganta inflamada, calafrios e, às vezes, vômitos e diarreia. A doença pode evoluir para falta de ar e insuficiência respiratória seguida de morte. Contudo, a grande maioria dos casos evolui espontaneamente para cura sem apresentar complicações.
Como se evita?
Estes casos de gripe suína podem ocorrer em qualquer época do ano. Contudo, tem incidência maior no outono/inverno nas zonas temperadas do globo. Muitos países vacinam rotineiramente as populações suínas contra este vírus.
Para os humanos, este ano (2010), já há vacina liberada para uso e o Ministério da Saúde definiu o calendário completo para vacinação contra esta enfermidade, e se estima que 91 milhões serão vacinados no Brasil.
Não há problemas em ingerir carne de porco ou produtos derivados dela (salame, por exemplo). A doença não é contraída desta forma.
Para as pessoas que lidam diariamente com porcos, recomenda-se a prática de uma boa higiene, essencial sempre em todo contato com animais, especialmente durante abate, pós-abate e manuseio para prevenir exposição a estes agentes de doença. Animais doentes ou que tenham morrido de doença não devem ser processados nos abatedouros, e as autoridades competentes devem ser informadas sobre quaisquer eventos relevantes.
Para proteção pessoal devem ser utilizadas algumas medidas preventivas:
- Evitar contato íntimo com pessoas que não estejam bem e que tenham febre ou tosse;
- Lavar as mãos com água e sabão frequentemente e quando necessário;
- Manter hábitos saudáveis como se alimentar corretamente, realizar atividades físicas e manter sono adequado.
Se houver uma pessoa doente na mesma casa:
- Deixar um aposento separado para o doente. Se isso não for possível, este deve manter-se a uma distância de 1 metro pelo menos dos outros;
- Deve-se cobrir boca e nariz ao entrar em contato com o doente. Máscaras podem ser usadas com esta finalidade e depois dispensadas;
- Lavar as mãos após contato com o doente;
- Não compartilhar utensílios como copos, toalhas, alimentos ou objeto de uso pessoal;
- Deixar o local onde o doente está bem arejado. Deixar portas e janelas abertas para circular o ar;
- Manter os utensílios domésticos limpos;
- O doente deverá também cobrir a boca e nariz com lenço ao tossir e espirrar. A lavagem de mãos deve frequente e, principalmente, após tossir ou espirrar será importante para prevenir o contágio de outras pessoas. Por essa mesma razão, durante a doença, recomende familiares e amigos para que não visite o doente.
As pessoas devem se manter atualizadas sobre o problema através de boletins da OMS.
Como se trata?
A maioria dos casos de gripe suína se recupera completamente da doença sem a necessidade de suporte hospitalar ou de antivirais. O doente deverá ficar em casa, afastado do trabalho ou escola e evitar locais com acúmulo de pessoas durante a doença. Repouso e manter boa hidratação também será importante durante sua recuperação.
Como o médico faz o diagnóstico?
A suspeita é feita naquelas pessoas com quadro de sinais e sintomas compatíveis. Nestes casos deverão serão coletados um aspirado nasofaríngeo através de kit específico disponíveis em locais que atendam casos suspeitos.
Laringite
É a inflamação da laringe (região da garganta onde estão as cordas vocais). Trata-se de uma doença que pode aparecer sozinha, ou também ser um sintoma de bronquite, pneumonia e de outras infecções respiratórias.
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Sintomas
A laringite não causa muita dor, mas provoca rouquidão e tosse seca. Em geral, a voz do doente vai enfraquecendo ao longo do dia.
Agentes
Os causadores da laringite podem ser vírus, bactérias e agressões ambientais como bebidas muito geladas.
Prevenção
Não fumar, não tomar bebidas geladas, não compartilhar talheres e copos, repusar a voz, dormir bem, não gritar.
Complicações
Progredir para infecções maiores (como a meningite) ou provocar graves problemas na voz.
Tratamentos
Devem ser prescritos pelo médico. Podem incluir desde o repouso até o uso de antibióticos.
Asma
A asma brônquica é uma doença pulmonar frequente e que está aumentando em todo o mundo. Esta doença se caracteriza pela inflamação crônica das vias aéreas, o que determina o seu estreitamento, causando dificuldade respiratória.
Este estreitamento é reversível e pode ocorrer em decorrência da exposição a diferentes fatores desencadeantes ("gatilhos"). Esta obstrução à passagem de ar pode ser revertida espontanea- mente ou com uso de medicações.
As vias aéreas são tubos que dão passagem ao ar. Elas iniciam no nariz, continuam como nasofaringe e laringe (cordas vocais) e, no pescoço, tornam-se um tubo largo e único chamado traqueia.
Já no tórax, a traqueia divide-se em dois tubos (brônquios), direito e esquerdo, levando o ar para os respectivos pulmões. Dentro dos pulmões, os brônquios vão se ramificando e tornam-se cada vez menores, espalhando o ar.
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Como se desenvolve?
As pessoas asmáticas reagem demais e facilmente ao contato com qualquer "gatilho" (estímulo).
Dentre estes, os mais comuns são: alterações climáticas, contato com a poeira doméstica, mofo, pólen, cheiros fortes, pêlos de animais, gripes ou resfriados, fumaça, ingestão de alguns alimentos ou medicamentos.
A mucosa brônquica, que é o revestimento interno das vias aéreas, está constantemente inflamada por causa da hiper-reatividade brônquica (sensibilidade aumentada dos brônquios).
Nas crises de asma, esta hiper-reatividade brônquica aumenta ainda mais e determina o estreitamento das vias aéreas. Este fenômeno leva à tosse, chiado no peito e falta de ar.
Os mecanismos que causam a asma são complexos e variam entre a população. Nem toda a pessoa com alergia tem asma e nem todos os casos de asma podem ser explicados pela resposta alérgica do organismo a determinados estímulos.
De qualquer forma, cerca de um terço de todos os asmáticos possui um familiar (pais, avós, irmãos ou filhos) com asma ou com outra doença alérgica. Alguns asmáticos têm como "gatilho" o exercício. Ao se exercitarem, entram numa crise asmática com tosse, chiado no peito (sibilância) ou encurtamento da respiração.
Alguns vírus e bactérias causadoras de infecções respiratórias também podem estar implicadas em alguns casos de asma que se iniciam na vida adulta. A asma brônquica pode iniciar em qualquer etapa da vida. Na maioria das vezes, inicia na infância e poderá ou não durar por toda a vida.
O que se sente?
Caracteristicamente, nesta doença os sintomas aparecem de forma cíclica, com períodos de piora. Dentre os sinais e sintomas principais, estão: tosse - que pode ou não estar acompanhada de alguma expectoração (catarro). Na maioria das vezes, não tem expectoração ou, se tem, é tipo "clara de ovo"; falta de ar; chiado no peito (sibilância); dor ou "aperto" no peito.
Os sintomas podem aparecer a qualquer momento do dia, mas tendem a predominar pela manhã ou à noite. A asma é a principal causa de tosse crônica em crianças e está entre as principais causas de tosse crônica em adultos.
Como o médico faz o diagnóstico?
O diagnóstico é feito baseado nos sinais e sintomas que surgem de maneira repetida e que são referidos pelo paciente. No exame físico, o médico poderá constatar a sibilância nos pulmões, principalmente nas exacerbações da doença. Contudo, nem toda sibilância é devido à asma, podendo também ser causada por outras doenças. Todavia, nos indivíduos que estão fora de crise, o exame físico poderá ser completamente normal.
Existem exames complementares que podem auxiliar o médico. Dentre eles, estão: a radiografia do tórax, exames de sangue e de pele (para constatar se o paciente é alérgico) e a espirometria - identifica e quantifica a obstrução ao fluxo de ar.
O asmático também poderá ter em casa um aparelho que mede o pico de fluxo de ar, importante para monitorar o curso da doença. Nas exacerbações da asma, o pico de fluxo se reduz.
Como se trata?
Para se tratar a asma, a pessoa deve ter certos cuidado com o ambiente, principalmente na sua casa e no trabalho. Junto, deverá usar medicações e manter consultas médicas regulares.
Como se previne?
Não há como prevenir a existência da doença, mas sim as suas exacerbações e seus sintomas diários.
Bronquite aguda
É uma inflamação da árvore brônquica, geralmente associada com uma infecção respiratória generalizada. A árvore brônquica é composta por tubos (brônquios) que carregam o ar para dentro dos pulmões. Quando esses tubos estão com alguma infecção ficam edemaciados (inchados) e produzem muco (catarro) espesso. Isto pode tornar a respiração difícil.
A bronquite aguda é uma doença respiratória aguda, com tosse intensa e prolongada, que persiste por mais tempo após o desaparecimento dos outros sintomas respiratórios. A doença pode tornar a árvore brônquica mais sensível ao ar frio e a poluentes como a fumaça do cigarro, fazendo com que o indivíduo tenha tosse intensa quando se defronta com tais situações.
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Como se adquire?
Esta é uma doença que ocorre mais comumente durante os meses de outono/inverno. Ela é quase sempre causada por viroses que atacam a mucosa (camada interna) dos brônquios, causando a infecção. Na maioria das vezes, as mesmas viroses que causam resfriados, causam a bronquite aguda.
Dentre os vírus respiratórios que podem estar envolvidos, podemos citar os adenovírus, vírus influenza, coronavírus e rinovírus. Dentre as bactérias que podem causar uma bronquite aguda estão a Chlamydia pneumoniae, Bordetella pertussis e Mycoplasma pneumoniae. Por vezes, bactérias como o Hemophilus influenzae e o Pneumococo podem também invadir, secun- dariamente, a árvore brônquica numa bronquite aguda. Fungos raramente são os causadores de tal doença.
As viroses que causam bronquite aguda espalham-se pelo ar. Se o indivíduo sadio respirar o ar contaminado por vírus deixado pela tosse de um doente, poderá adquirir a doença. Isso também poderá acontecer se tocarmos com a mão numa superfície contaminada por vírus e, após, a levarmos até o nariz ou a boca. A superfície contaminada pode ser a mão de um indivíduo doente ou um objeto tocado por ele.
O que se sente?
A manifestação mais proeminente da bronquite aguda é a tosse. Às vezes, ela pode durar várias semanas ou meses. Isto ocorre quando a mucosa da árvore brônquica demora a se recuperar. Entretanto, a tosse que não vai embora pode ser o sinal de um outro problema - asma ou pneumonia, por exemplo. Nestas situações, a consulta com um médico torna-se imperiosa.
Na bronquite aguda, a tosse costuma ser não-produtiva (seca) no início. Mas, depois, torna-se produtiva - com escarro denso como uma goma. Mais adiante, no curso da doença, o escarro pode ficar purulento - amarelado ou esverdeado.
Além da tosse, o indivíduo afetado poderá ter dor torácica ou desconforto junto ao osso do peito ao tossir ou respirar. Também poderá ou não apresentar febre durante.
Como o médico faz o diagnóstico?
Examinando o paciente, o médico poderá notar roncos e outras alterações na ausculta do tórax com o estetoscópio (aparelho para ouvir os murmúrios respiratórios dos pulmões). Essas alterações são compatíveis com pneumonia.
No entanto, o médico poderá solicitar uma radiografia do tórax e, ao notar que não aparece opacidade nos pulmões, concluirá que não se trata de uma pneumonia. Portanto, o diagnóstico é feito baseado nos achados do paciente e a radiografia de tórax serve para afastar a possibilidade de uma pneumonia.
Para a identificação do germe envolvido na bronquite aguda, em alguns casos, o médico solicitará o exame do escarro que poderá ser importante para o sucesso no tratamento. Além disso, existem outros exames que auxiliam os médicos a identificar a presença de vírus no sangue da pessoa doente.
Como se trata?
A maioria dos casos de bronquite aguda resolve-se por si própria no decorrer de poucos dias ou numa semana. Sendo uma doença causada geralmente por vírus, antibióticos (medicamentos que combatem bactérias) normalmente não ajudam. Eles também não aliviam a tosse, nem encurtam o tempo da doença - salvo, é claro, nos casos onde há uma bactéria envolvida. Na maioria das vezes, devem ser adotadas apenas medidas para o alívio da tosse.
Caso o resultado do exame do escarro seja sugestivo de infecção secundária por bactérias, o médico deverá instituir o uso de antibióticos direcionados contra o Pneumococo e o Hemophilus influenzae. Também é importante lembrar que a cessação do fumo torna a cura mais rápida.
Ainda em relação ao tratamento, o uso de broncodilatadores (os mesmos usados em casos de asma) através de nebulizadores pode ser útil no alívio do desconforto respiratório que eventualmente surja no curso da enfermidade.
Sedativos da tosse poderão ser utilizados se o médico que assiste o paciente julgar conveniente. A pessoa nunca deve se automedicar, pois correrá o risco de agravar sua situação clínica.
Como se previne?
A cessação do fumo é importante, pois ele torna a mucosa dos brônquios mais suscetível à ação danosa dos vírus. Lavar as mãos frequentemente também ajuda na prevenção, já que a contaminação pode ocorrer através do contato entre as pessoas. Tapar a boca e o nariz ao tossir ou espirrar também são medidas simples para diminuir o contágio por vírus entre as pessoas.
Bronquite crônica
Esta doença é definida quando há presença de tosse com muco (catarro) na maioria dos dias do mês, em 3 meses do ano, por dois anos sucessivos, sem outra doença que explique a tosse. Quase todos os casos da doença ocorrem pelo efeito nocivo do fumo nos pulmões por vários anos, o que determina uma inflamação da mucosa dos brônquios (tubos que espalham o ar dentro dos pulmões). A bronquite crônica pode preceder ou acompanhar o enfisema. Ela afeta pessoas de todas as idades, mas, geralmente, aquelas com mais de 45 anos.
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Como se desenvolve?
A bronquite crônica surge, na maioria dos casos, após 20 a 30 anos de exposição das vias aéreas (brônquios) a irritantes como o fumo, poluição do ar e outras fontes. Estes fazem com que ocorram modificações na mucosa dos brônquios. A mucosa é o revestimento interno destes tubos que dão passagem ao ar.
Na bronquite crônica, ocorre uma hipertrofia (aumento) nas glândulas que fazem o muco e uma inflamação nos bronquíolos (brônquios de diminuto diâmetro) que limita o fluxo de ar. Quando há uma piora na inflamação - como nas infecções dos brônquios por bactérias - a produção de muco aumenta consideravelmente.
Atualmente, usamos mais o termo doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) quando nos referimos à bronquite crônica e ao enfisema pulmonar, pois elas, geralmente, coexistem no mesmo doente e apresentam obstrução ao fluxo de ar. Todas estas alterações determinam os sintomas e sinais da doença.
O que se sente?
- Tosse;
- Expectoração de muco (catarro);
- Encurtamento da respiração (falta de ar);
- Febre pode ocorrer quando a pessoa com bronquite crônica estiver com uma infecção respiratória associada;
- Chiado no peito (sibilância) pode ocorrer nas exacerbações (crises) da doença;
- Cianose - coloração azulada da pele, mais comumente visualizada na face e nas mãos;
- Inchaço nos pés e nas pernas pode ocorrer pela piora nas condições de trabalho do coração, em decorrência de uma bronquite muito grave.
Como o médico faz o diagnóstico?
Os dados referidos pelo paciente são os mais importantes para o diagnóstico da doença. O relato de tabagismo de longa data, associado à tosse crônica com produção de muco, torna o diagnóstico muito provável. O exame físico também poderá ajudar. Além disso, o médico poderá solicitar uma radiografia do tórax que costuma demonstrar alterações compatíveis com a bronquite crônica, além de excluir outras doenças.
Exames de sangue podem auxiliar no diagnóstico da doença, além de também poder indicar a sua gravidade. A espirometria também pode fazer isso. Ela mostrará como está a capacidade pulmonar e os fluxos de ar do indivíduo. Para se fazer este exame se realiza a seguinte manobra: com a boca conectada ao tubo do aparelho, o paciente enche totalmente os pulmões de ar e depois assopra vigorosamente até esvaziar os pulmões. É o exame mais importante, pois naquela pessoa que fuma há vários anos e não nota nenhuma alteração no seu dia-a-dia e possui uma radiografia normal (ou praticamente normal), a espirometria pode acusar uma diminuição no fluxo de ar. Com isso, pode-se evitar o surgimento de casos da doença, se o indivíduo abandonar o fumo quando ficar constatado no exame a perda de função pulmonar em curso.
Como se trata?
Uma medida importante para iniciar o tratamento é eliminar os irritantes, como o fumo ou poeiras tóxicas inaladas. Parar de fumar para aquelas pessoas com uma bronquite crônica bem estabelecida, não fará com que a doença melhore, mas, certamente, ajudará a desacelerar sua progressão. Alguns pacientes podem beneficiar-se com outros tipos de tratamentos, mas, somente um especialista poderá avaliar a melhor de forma de tratamento.
A maioria das pessoas pode se beneficiar com os exercícios de terapia de reabilitação, que fazem com que os pacientes sejam capazes de utilizar a sua energia mais eficientemente ou de uma forma em que haja menor gasto de oxigênio. A oxigenoterapia (uso de oxigênio em casa), quando necessária, também pode melhorar os sintomas dos doentes, além de aumentar a expectativa de vida. Além disso, o grande número de antibióticos disponíveis ajuda muito nos casos de exacerbação da doença, quando resultam de uma infecção nos brônquios.
Como se previne?
Entre 80% e 90% dos casos de bronquite crônica, resultam do tabagismo. Assim, a principal medida preventiva é não fumar. O médico deverá oferecer ao seu paciente auxílio neste sentido, podendo ou não usar medicações auxiliares.
Na bronquite crônica, é importante a vacinação anual contra o vírus causador da gripe, uma vez que esta pode piorar a doença. Com este mesmo objetivo, está indicado também o uso da vacina contra o pneumococo, que é a principal bactéria causadora de infecções respiratórias, entre elas, a pneumonia. Deve ser feita uma única vez e, em casos isolados, poderá ser repetida depois de cinco anos.
Pneumonia
A pneumonia é uma infecção ou inflamação nos pulmões. Ela pode ser causada por vários microorganismos diferentes, incluindo vírus, bactérias, parasitas ou fungos. Esta doença é muito frequente e afeta pessoas de todas as idades. Muitas destas, anualmente, morrem por pneumonia. A metade de todos os casos de pneumonia é causada por bactérias e, destas, o pneumococo é o mais frequente.
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Como se desenvolve?
Normalmente, a doença se desenvolve quando, por algum motivo, há uma falha nos mecanismos de defesa do organismo. A pneumonia pode desenvolver-se por três mecanismos diferentes. Um deles, bem frequente, ocorre quando a pessoa inala um microorganismo, através da respiração, e este chega até um ou ambos pulmões, onde causa a doença. Outra maneira comum é quando bactérias, que normalmente vivem na boca, se proliferam e acabam sendo aspiradas para um local do pulmão. A forma mais incomum de contrair a doença é através da circulação sangüínea. Uma infecção por um microorganismo em outro local do corpo se alastra e, através do sangue que circula, chega aos pulmões, onde causa a infecção.
Mecanismos de proteção
É importante lembrar que, em circunstâncias normais, as vias respiratórias (incluindo os pulmões) têm mecanismos eficazes de proteção contra infecções por microorganismos. O primeiro deles ocorre no nariz, onde grandes partículas são filtradas, não podendo chegar até os pulmões para causar infecções.
As partículas pequenas, quando são inaladas pelas vias respiratórias (que levam ar até os pulmões), são combatidas por mecanismos reflexos. Dentre estes, estão o reflexo do espirro, do pigarrear e da tosse, que expulsam as partículas invasoras, evitando as infecções (pneumonias).
Quando as pessoas estão resfriadas ou gripadas, a filtração, que normalmente ocorre no nariz, e a imunidade do organismo podem ficar prejudicadas, facilitando o surgimento de uma pneumonia.
Naqueles casos onde ocorre uma supressão dos reflexos citados acima, também há um maior risco de surgimento de uma pneumonia. Esta pode ocorrer quando, por exemplo, uma pessoa dorme alcoolizada, fez uso de sedativos, sofreu uma perda de consciência por uma crise convulsiva ou é portador de sequela neurológica.
Os pulmões também possuem um mecanismo de limpeza, em que os cílios que ficam no seu interior realizam, através de sua movimentação, a remoção de secreções com microorganismos que, eventualmente, tenham vencido os mecanismos de defesa descritos anteriormente.
Estes cílios ficam na parte interna dos brônquios, que são tubos que levam ar até os pulmões. É importante lembrar que este mecanismo de limpeza fica prejudicado no fumante, pois o fumo tem a propriedade de paralisar temporariamente os cílios envolvidos neste trabalho.
O último mecanismo de defesa da via respiratória ocorre nos alvéolos, onde ocorrem as trocas gasosas (entra o oxigênio e sai o gás carbônico) e é onde agem os macrófagos. Estes são células especializadas na defesa do organismo e englobam os microorganismos que, porventura, tenham vencido a filtração nasal, os reflexos de pigarrear, tossir ou espirrar, além da limpeza feita pelos cílios das vias respiratórias.
O que se sente?
A pneumonia bacteriana clássica inicia abruptamente, com febre, calafrios, dor no tórax e tosse com expectoração (catarro) amarelada ou esverdeada que pode ter um pouco de sangue misturado à secreção. A tosse pode ser seca no início. A respiração pode ficar mais curta e dolorosa, a pessoa pode ter falta de ar e em torno dos lábios a coloração da pele pode ficar azulada, nos casos mais graves.
Em idosos, confusão mental pode ser um sintoma normal, além da piora do estado geral (fraqueza, perda do apetite e desânimo, por exemplo). Nas crianças, os sintomas podem ser vagos (diminuição do apetite, choro, febre).
Outra alteração que pode ocorrer é o surgimento de lesões de herpes nos lábios, por estar o sistema imune debilitado. Em alguns casos, pode ocorrer dor abdominal, vômitos, náuseas e sintomas do trato respiratório superior como dor de garganta, espirros, coriza e dor de cabeça.
Como o médico faz o diagnóstico?
O diagnóstico pode ser feito apenas baseado no exame físico alterado e na conversa que o médico teve com seu paciente que relata sinais e sintomas compatíveis com a doença. Os exames complementares são importantes para corroborar o diagnóstico e ajudarão a definir o tratamento mais adequado para cada caso.
Normalmente, o médico utiliza-se dos exames de imagem (raios-X de tórax ou, até mesmo, da tomografia computadorizada de tórax) e de exames de sangue como auxílio para o diagnóstico.
O exame do escarro também é muito importante para tentar identificar o germe causador da pneumonia. Com isso, o médico poderá prever, na maioria dos casos, o curso da doença e também definir o antibiótico mais adequado para cada caso.
Como se trata?
A pneumonia bacteriana deverá ser tratada com antibióticos. Cada caso é avaliado individual- mente e se definirá, além do tipo de antibiótico, se há ou não necessidade de internação.
Nos casos graves, até mesmo a internação em Unidades de Tratamento Intensivo (UTI) poderá ser necessária. Os antibióticos e demais medicações podem ser utilizados por via oral ou através de injeções, que podem ser na veia ou no músculo.
Além das medicações, podemos utilizar a fisioterapia respiratória como auxiliar no tratamento. Os fisioterapeutas podem utilizar exercícios respiratórios, vibradores no tórax e tapotagem (percussão do tórax com os punhos) com o intuito de retirar as secreções que estão dentro dos pulmões, agilizando o processo de cura dos pacientes.
Na maioria dos casos de pneumonias virais o tratamento é só de suporte. Visa melhorar as condições do organismo para que este combata a infecção. Utiliza-se uma dieta apropriada, oxigênio (se for necessário) e medicações para dor ou febre.
Nos casos de pneumonia por parasitas ou fungos, antimicrobianos específicos são utilizados.
Como se previne?
Como já foi mencionado anteriormente, muitas vezes uma gripe ou resfriado podem preceder uma pneumonia. Para tentar evitar isso, vacinas foram criadas. Existe no mercado a vacina contra o vírus Influenza e outra contra o Pneumococo, que podem diminuir as chances do aparecimento das doenças causadas por estes germes.
Devemos lembrar que estas vacinas devem ser feitas antes do início do inverno, preferen- cialmente. A vacina contra o vírus Influenza deverá ser feita anualmente em idosos e naquelas pessoas com maior risco de ter uma pneumonia. A vacina contra o pneumococo deverá ser feita em idosos e naquelas pessoas com o vírus do HIV, doença renal, asplênicos (pessoas que não tem o baço, órgão que também ajuda na defesa do corpo), alcoolistas ou outras condições que debilitem o sistema de defesa do organismo. Esta vacina tem a duração de aproximadamente cinco anos.
Em alguns casos, deverá ser repetida após o término deste período. Em casos selecionados, a vacina contra o Haemophilus influenzae deverá ser aplicada. Ele também é um germe frequente que pode causar pneumonias. Existem outras vacinas, contra outros germes, que ainda estão em estudos.
Medidas simples para prevenção de pneumonias incluem cuidados com a higiene, como a lavagem de mãos com sabonetes simples. Uma dieta rica em frutas e vegetais, que possuem vitaminas, ajudam a reforçar o sistema de defesa do organismo às infecções.
Bronquiolite
A bronquiolite é uma doença que se caracteriza por uma inflamação nos bronquíolos e que, geralmente, é causada por uma infecção viral.
O ar entra pelo nariz, vai para a nasofaringe, chega até a laringe (cordas vocais) e, já no pescoço, desce por um tubo que se chama traqueia. Dentro do tórax, a traqueia divide-se em dois tubos chamados brônquios - um vai para o pulmão direito e outro para o esquerdo. Cada brônquio, no trajeto dentro do pulmão, vai se ramificando e tornando-se cada vez mais estreito. A estes tubos de ar, diminutos, que espalham o ar nos pulmões chamamos de bronquíolos.
Na bronquiolite, após ocorrer o dano nos bronquíolos, um processo de cicatrização começa a ocorrer. O processo de reparo do dano pode ter um curso muito variável, podendo levar ao estreitamento ou distorção das vias aéreas (bronquíolos). Os alvéolos, que estão em situação adjacente aos bronquíolos são quase sempre afetados. Eles são responsáveis pela troca dos gases - entra o oxigênio e sai o gás carbônico.
Existem várias causas para a bronquiolite. Dentre elas, estão: danos pela inalação de poeiras, fogo, gases tóxicos, cocaína, tabagismo, reações induzidas por medicações e infecções respiratórias.
Com certeza, a bronquiolite após infecções respiratórias é a situação mais frequente e predomina nas crianças pequenas. Normalmente, afeta crianças de até dois anos de idade, sendo que a maioria dos casos ocorre entre 3 e 6 meses de idade.
O vírus sincicial respiratório (VSR) é o principal microorganismo envolvido nesta doença. Ele pode causar infecções pulmonares também em adultos saudáveis. Estas infecções costumam ser leves, mas, em crianças ou pessoas com fraqueza do sistema de defesa do organismo, podem ser graves.Contudo, a taxa de mortalidade desta doença diminuiu significativamente na última década.
Dentre outros vírus que podem causar bronquiolite estão o parainfluenza, o influenza e o adenovírus.
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Como se desenvolve?
O vírus sincicial respiratório (VSR) pode causar infecção no nariz, garganta, traqueia, bronquíolos e pulmões.
A infecção pelo VSR, tipicamente, causa sintomas leves como os da gripe em adultos e crianças maiores. Já nas crianças com menos de um ano, o VSR pode causar pneumonia ou uma infecção frequente na infância: a bronquiolite.
O vírus sincicial respiratório é muito contagioso e se dissemina de pessoa a pessoa, por meio do contato das secreções contaminadas do doente com os olhos, nariz ou boca do indivíduo sadio. O doente, ao levar sua mão à boca, nariz ou olhos, acaba contaminando as suas mãos e, ao tocar em outras pessoas, a doença se espalha.
O indivíduo sadio também pode se infectar ao respirar num ambiente onde um doente, ao tossir, falar ou espirrar, deixou gotículas contaminadas com o vírus dispersos no ar.
A bronquiolite é uma doença sazonal - é mais frequente nos meses de outono e inverno. Dentre os fatores de risco para o desenvolvimento da doença, citamos: ter menos que 6 meses de idade; exposição à fumaça do cigarro; viver em ambientes com muitas pessoas; prematuridade - nascimento antes de completar 37 semanas de gestação e criança que não mamou no peito.
O que se sente?
Os sintomas mais comuns da doença são: tosse intensa; febre baixa; dificuldade para respirar - incluindo chiado no peito (sibilância), movimentos respiratórios rápidos ou, até mesmo, apnéia (parada respiratória prolongada entre os movimentos respiratórios); vômitos (nas crianças pequenas); irritabilidade; diminuição do apetite; cianose - é a coloração azulada da pele que costuma aparecer em torno da boca e na ponta dos dedos, quando a dificuldade respiratória é grave; dor de ouvido (nas crianças); olhos avermelhados por uma inflamação conhecida como conjuntivite; batimento de asas do nariz - movimento das narinas (abrindo e fechando) que ocorre em situações de dificuldade respiratória na criança pequena.
Como o médico faz o diagnóstico?
O diagnóstico é feito através do exame do paciente, dos sintomas referidos por ele ou pelos seus pais. A radiografia do tórax poderá ajudar a firmar o diagnóstico ou descartar outros. Existe um exame da secreção do nariz ou dos pulmões que pode confirmar a presença do vírus sincicial respiratório.
Como se trata?
Adultos e crianças grandes com infecção pelo VSR geralmente não precisam de tratamento. Medicações para alívio dos sintomas podem ser utilizadas. Contudo, nenhuma medicação tem se mostrado realmente eficaz para mudar a evolução de uma bronquiolite por VSR.
Crianças pequenas podem necessitar de internação em hospital para tratamento e acompanhamento do curso da doença. O tratamento é de suporte, utilizando oxigênio. Há a possibilidade de se usar a adrenalina por inalação com bons resultados.
Broncodilatadores (que podem facilitar a entrada e a saída do ar dos pulmões) e corticóides (potentes anti-inflamatórios) podem ser usados na tentativa de melhorar a situação. Todavia, vários estudos não demonstraram benefício nesta situação. Casos graves em crianças pequenas podem evoluir para insuficiência respiratória e requerer ventilação mecânica, onde um aparelho ajuda a manter a respiração da criança.
Em casos graves, estas crianças poderão receber também um medicamento que combate o vírus: a ribavarina. Esta medicação não é usada como rotina no tratamento, somente em casos especiais, solicitada pelo médico. Se usada precocemente no curso da doença, os sintomas podem desaparecer dentro de uma semana e a dificuldade na respiração melhora em torno do terceiro dia.
Normalmente, os sintomas da doença desaparecem dentro de uma semana e a dificuldade na respiração melhora em torno do terceiro dia.
Contudo, um grande número de crianças, depois de uma provável crise de bronquiolite por VSR, continuam com chiado no peito intermitente assim como ocorre na asma. Esta é chamada de sibilância recorrente pós-bronquiolite. É uma situação problemática que necessita do manejo criterioso do seu médico.
Como se previne?
Evitar contato com as pessoas doentes poderá prevenir alguns casos, já que sabemos que a infecção por este vírus, algumas vezes, ocorre de forma epidêmica em comunidades. A lavagem frequente das mãos também ajuda a prevenir novos casos da doença.
As crianças que frequentam creches enfrentam um risco maior devido ao contato com outras crianças infectadas.
A maioria dos casos de infecção pelo VSR não tem como ser prevenida. Até o momento, não existem vacinas disponíveis. Contudo, existem medicações - como a imunoglobulina anti-VSR - que podem ser utilizadas naquelas crianças com grande risco de desenvolver tal doença. Informe-se com seu médico se sua criança poderá se beneficiar com o uso de tais medicações.
Fontes: ABC da Saúde, Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (FHEMIG) e Vida e Saúde (terra.com.br)
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