Revista Alergo ar #13 Primavera - Online - page 5

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Dentre as vacinas tomadas
na infância e adolescência,
quais devem ser repetidas
na idade adulta?
Dr. Edimilson Migowski:
As va-
cinas contra difteria, tétano e
coqueluche aplicadas de dez em
dez anos. Se o adulto tem a vaci-
nação em dia até 15 anos de ida-
de, tem que fazer com 25, 35, 45
anos e assim por diante. Até por-
que, no Brasil, 90% dos casos de
tétano ocorrem em adultos, por
não terem a vacinação em dia.
Existe algum grupo de
pessoas, na idade adulta,
que não pode ser vacinado
por alguma doença específica?
Dr. Edimilson Migowski:
As
vacinas inativadas que previ-
nem pneumococos, hepatite
B, hepatite A, gripe, difteria,
tétano e coqueluche não têm
problema; a não ser que tenha
algum relato de choque ana-
filático ou alergia grave com
algum componente da vacina,
fora isso, não existe contraindi-
cação. Às vezes, pessoas com
câncer, que estão em quimio-
terapia ou radioterapia aca-
bam não se vacinando porque
têm medo, mas esse tipo de
vacina pode ser feita sem pro-
blemas. Já as vacinas atenua-
das (caxumba, febre amarela,
poliomielite, rubéola, sarampo,
tríplice viral, varicela e varíola)
não podem ser feitas em pes-
soas que tiverem imunodefici-
ência ou estiverem gestantes.
O HPV tem sido a maior
preocupação para vacinação
na idade adulta?
Dr.EdimilsonMigowski:
Algumas
pessoas começaram a ficar mais
atentas a este fato, mas ainda é
uma cobertura vacinal muito ruim;
ainda se vacina pouco.Isso porque
é pouco procurada. Algumas pes-
soas acham que a vacina é cara,
quandonaverdadecaroé tratar de
uma pessoa doente. Uma pessoa
doente sai muito mais caro, para si
própria e para a sociedade, do que
a vacinação.Certamente,uma vaci-
nação completa para HPV, que são
três doses, sai o que muita gente
gasta pormês emcabeleireiro,pin-
tandoos cabelos,por exemplo.
Os casos de HPV podem
aumentar por falta de
informação?
Dr. Edimilson Migowski:
Tanto
pela falta de informação quan-
to pela pouca importância da
prevenção. O Brasil ainda é, in-
felizmente, um país que tem
Revista Alergo ar - Nº 13 Ano 4 / 2013
uma prática médica terapêutica
e não preventiva, que não é de-
sejável. Algumas pessoas têm
recursos e, ainda que tenham in-
formação, às vezes, não colocam
em prática o fato de se vacinar. É
algo que é muito negligenciado
e as pessoas não dão a devida
importância. Algumas pessoas
acham que a vacina tem que ser
sempre de graça.
Qual seria a solução para
atrair o público-alvo?
Dr. Edimilson Migowski:
Acho
que é a conscientização, falar.
Lembrar que a vacina é segura
e eficaz, embora pouco utiliza-
da. Eu fico pensando, se fosse
uma vacina que realmente re-
solvesse os casos de estrias e
de celulite. Bota aí R$ 10mil; a
pessoa iria pagar R$ 1mil por
mês e iria fazer a vacina. Eu
acho que as pessoas dão pou-
ca importância no quesito pre-
venção e acham, até porque o
programa nacional de imuni-
zação é muito bom, que toda
e qualquer vacina tem que ser
disponibilizada pela saúde pú-
blica; nem sempre é assim.
A vacina contra o HPV
está disponível em
hospitais públicos?
Dr. Edimilson Migowski:
A HPV
não. Quando estiver disponí-
vel vai ser só pra crianças de
10 ou 11 anos de idade, ou
seja, a mulher da idade adulta
não vai receber a vacina.
O vírus do papiloma
humano (HPV) é a doença
sexualmente
transmissível
mais comum entre homens
e mulheres. Está relacionado
ao aparecimento de verru-
gas genitais e ao câncer de
colo de útero, que é a quarta
causa de morte de mulheres
no Brasil.O uso de camisinha
e o exame Papanicolau são
formas de prevenção, além
da aplicação das vacinas bi-
valente e quadrivalente.
Fontes: INCA e G1
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